domingo, 19 de abril de 2015

Bricolagem

Bricolagem é um termo com origem no francês "bricòláge" cujo significado se refere à execução de pequenos trabalhos domésticos, sem necessidade de recorrer aos serviços de um profissional.
Trabalhos de jardinagem, reciclagem de objetos, pintura de móveis, artesanato e vários outros serviços de remodelação ou decoração feitos em casa são considerados bricolagem. São atividades manuais de execução simples ou mais trabalhosa, onde o próprio consumidor é responsável pelo trabalho realizado.
O processo de bricolagem está relacionado com o conceito de DIY (Do It Yourself) que significa "Faça você mesmo", um conceito criado nos Estados Unidos, na década de 1950. Em muitos casos, o método de bricolagem funciona como hobby proporcionando momentos de prazer e satisfação em quem o executa.

Curiosidade
   Na França, logo após a segunda guerra mundial, não havia ainda nenhuma loja com as coisas que as pessoas precisavam para substituir o que a guerra destruiu, paredes destruídas, móveis destroçados, o jeito era reconstruir com os recursos que tinham, lembrando que a indústrias estavam voltadas para a produção bélica, ou seja, para a guerra. Nos EUA surgiu uma nova visão desse conceito com o "faça você mesmo".

Bricolagem e Intertextualidade
   Bricolagem também pode ser um tipo de criação de texto. Neste caso específico, um texto criado através de bricolagem é composto por diferentes trechos de outros textos, que depois são "colados", através de um processo semelhante ao da bricolagem.

Fotografia? Não...Pintura Hiper-realista

Fotografia? Não.
hiper-realismo é derivado do fotorrealismo, e teve sua origem na segunda metade do século XX. Como o próprio nome indica, o realismo é levado ao extremo, ou seja, acrescentam-se  muitos detalhes às obras de pintura, desenho ou escultura, para que esse se aproxime o máximo possível da realidade.
Os hiper-realistas utilizam-se das cargas sociais ou emocionais de suas obras, contextualizando-as de modo a criar narrativas singular e cheias de poesia.
É importante notar o componente paradoxal do hiper-realismo: apesar das obras aproximarem-se da realidade a ponto de serem quase idênticos, não são a realidade. Esse simulação de realidade cria a ilusão de uma nova realidade, mais complexa e, principalmente, mais subjetiva.
O pintor fotorrealista escolhido é Roberto Bernardi nasceu em Todi, Perugia – Itália em 1974. Seu primeiro trabalho data da década de 80 quando se dedicou ao estudo de pintura e técnica Renascentista. Em 1993 Roberto mudou-se para Roma onde teve a oportunidade de trabalhar com restauração na Igreja Sâo Francisco de . Depois destas experiências, o artista dedicou seu tempo integral às suas vontades de fazer pinturas fotorealistas.
Para dar início ao seus trabalhos, Roberto pega os elementos realistas da composição, que são filtrados através de uma imagem fotográfica, e resultam em uma reprodução altamente tecnológica. Esta imagem é, então, traduzida utilizando as técnicas tradicionais de pintura a óleo influenciada por sua herança italiana. A arte final conta com um técnica chamada  Giclée – impressão em altíssima qualidade, que garante vida longa graças à qualidade das tintas.

"Guernica" - Análise da obra - Parte 2

Guernica
 Análise da obra
Parte 2 | Análise/Interpretação da obra.

1.    A obra “Guernica” foi pintada por Pablo Picasso em 1937, e retrata o massacre da cidade de Guernica, na Espanha, pelo poderio militar de Adolf Hitler durante a Guerra Civil Espanhola.
2.    O cavalo: para Picasso, o cavalo em “Guernica” representa o povo inocente. A distorção na cabeça do cavalo revela pânico e a dor do animal mortalmente ferido. Suas narinas e dentes superiores parecem formar a imagem de uma caveira. O ferimento do cavalo, um talho negro em seu flanco, ocupa um lugar de destaque na pintura. Pelo corpo do cavalo, distribui-se pequenos tracejados negros, que remetem as folhas de um jornal, através do qual Picasso leu sobre o massacre de Guernica.
3.    O touro: o touro é um símbolo da cultura espanhola, e sua imagem está associada à força. Mas o touro de “Guernica” não parece particularmente agressivo. Também ele experimenta o terror da carnificina.
4.    As luzesPicasso pinta uma luz elétrica na cena, que lembra um olho maligno ou a lâmpada da cela de um torturador. Próxima a ela, está um candelabro, de formas mais suaves. A oposição entre os dois símbolos representa a dicotomia entre o bem e o mal, a morte e a vida.
5.    As figuras humanas: impotentes e distorcidos pela dor, com seus corpos dilacerados, não demonstram a nobreza da batalha, apenas o pânico da tragédia. Da esquerda para a direita, vemos uma mãe com o filho morto nos braços (uma moderna pietá), um soldado caído que traz na mão esquerda um estigma de Cristo (uma provável referência a obra Os Fuzilamentos de Três de Maio, de Goya), uma mulher esgotada e desorientada, uma figura feminina trazendo um candelabro, completamente incrédula ante a tragédia, e uma pessoa em chamas, que ergue os braços para o vazio.
6.    A margarida: vemos uma margarida na mão direita de um soldado caído, delicadamente desenhada, um pequeno símbolo de esperança. Nesta mesma mão, o braço decepado segura com firmeza uma espada quebrada, que representa a resistência do povo espanhol.

7.    As coresPicasso utiliza-se das cores preto, branco e cinza, tornando a obra bastante sombria. O uso destas cores na obra “Guernica” também podem remeter as matizes de um jornal. 
                        

sábado, 4 de abril de 2015

"Guernica" - Obras de Arte e Intertextualidade - Parte 1

Guernica
Obras de Arte e Intertextualidade

Parte 1 | A Importância da Obra

A trágica e clássica obra do pintor cubista Pablo Picasso – nasceu das impressões causadas no artista pela visão de fotos retratando as consequências do intenso bombardeio sofrido pela cidade de Guernica, anteriormente capital basca, durante a Guerra Civil Espanhola, em 26 de abril de 1937. Este painel, produzido em 1937, é então exposto em um pavilhão da Exposição Internacional de Paris, no espaço reservado à República Espanhola. Este trabalho é grandioso, em todos os sentidos, tanto na catástrofe bélica que reproduz, quanto no seu tamanho, pois ele mede 3,50 m por 7,82 m. Elaborado em tela pintada a óleo, é um símbolo doloroso do terror que pode ser produzido pelas guerras.
Esta obra universal traz em si o impacto provocado por todo e qualquer confronto bélico, não só o vivenciado pelos habitantes de Guernica, destruída pela mortífera aviação alemã comandada pelo nazista Adolf Hitler, aliado do ditador espanhol Francisco Franco. Diretamente atingido pela visão desta violência sem igual, Picasso leva um mês e alguns poucos dias a mais para produzir sua obra-prima, que é concebida depois de não menos que 45 estudos anteriores.
Imediatamente este trabalho assume o caráter de representante artístico universal na condenação deste ato selvagem. As imagens que emanam desta tela transcendem os próprios fatos, alcançando, quase profeticamente, futuros embates que, hoje, se traduzem em guerras que pipocam aqui e ali em áreas que chegam a atuar como cobaias para que novos armamentos sejam testados, principalmente os eficazes bombardeios de saturação.
Picasso concebeu sua obra em preto e branco, com alguns traços amarelados, traduzindo assim os intensos sentimentos que o abalaram na destruição de Guernica, sua rejeição a tamanha violência. Sem dúvida nenhuma constituída em estilo cubista, o pintor nela reproduz o povo, os animais e as construções atingidas pelo bombardeio.
A própria recorrência ao recurso conhecido como ‘collage’ evidencia as intenções emocionais do artista. Ele não cola simplesmente as imagens na tela, mas as pinta, simulando o ato da colagem. Assim ele tece um espaço renovado e original, não obtido por meio de técnicas ilusórias, mas sim pela justaposição de imagens cortadas na perspectiva plana, em tonalidades pretas e cinzas, perpassadas por luzes brancas e amarelas, atingindo a impressão de uma falta completa de cores, que aqui lembram sem dúvida a morte.
O pintor representa em Guernica, com certeza, a dissolução da existência, que se resume a fragmentos, a transformações na anatomia dos seres retratados, de certa forma irreais, mas que ao mesmo tempo transmitem o absurdo significado ou a absoluta falta de sentido da realidade gerada pela guerra.
Este painel, que hoje está exposto no Centro Nacional de Arte Rainha Sofia, em Madri, ainda transmite todo terror vivenciado por Picasso e seus contemporâneos durante a Guerra Civil Espanhola. E clama pela construção de um mundo renovado, tecido pela presença constante da paz e da tolerância. Esta obra será eternamente o símbolo da destruição que o Homem pode perpetrar, mas também de seu potencial para o entendimento e a convivência com o Outro.