quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

° Mãos que Constroem

Mãos dadas (Poema da obra Sentimento do mundo), de Carlos Drummond de Andrade

Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros.
Estão calados, mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considero a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.

Não serei o cantor de uma mulher, de uma história,
não direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem vista da janela,
não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida,
não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins.
O tempo é a minha matéria, do tempo presente, os homens presentes,
a vida presente.
Neste poema o poeta reafirma a sua consciência da existência de outros homens,

seus companheiros. Com eles é que se sente de mãos dadas, e renunciou aos seus
temas pessoais. Não mais se refugiará na solidão porque o que lhe interessa é o
tempo presente em que se acha inserido, e os homens que o cercam.

O poema "Mãos dadas" anuncia a utópica e festiva solidariedade humana.

Como um ativista dos direitos humanos Drummond muitas vezes nega a
influência do mundo moderno em sua obra, é o fugir do individual e o olhar
para o coletivo e a solidariedade.

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