sexta-feira, 25 de novembro de 2011

°ROMERO BRITO

ROMERO BRITO


 Não é todos os dias que um artista pernambucano ocupa o prestigiadíssimo espaço das páginas amarelas de Veja, para aí ser apresentado como o artista plástico brasileiro de maior sucesso internacional. Veja não coloca o assunto como um "talvez". Afirma categoricamente ser essa a condição do artista plástico Romero Brito, nascido aqui em Recife em precária situação financeira e hoje passeando de Ferrari pelas ruas de Nova Iorque. Para conseguir dar esse salto, alguma coisa deve ter acontecido.
Sem tentar explicar e compreender o fenômeno comercial e o sucesso profissional, o que aconteceu, e continua acontecendo, é que Romero Brito é adquirido por pessoas ricas e famosas. Algumas dessas pinturas custaram mais de US$ 100.000,00. Só Arnold, aquele de músculos imensos e sobrenome maior ainda, possui 18 trabalhos e  Romero é amigo dessas pessoas.
As pinturas de Romero Brito são deliciosas. As cores são sempre vivas e vibrantes e retratam figuras simpáticas e divertidas. Tudo é bem humorado e transmite alegria e jovialidade. Sistematicamente as cores são colocadas com total falta de lógica ou impossivelmente mas isso não compromete o resultado. Ao contrário, garante essa característica marcante da jovialidade e do bom humor.
Com traços simples e quase geométricos, o artista produz movimentos e dá vida a figuras nitidamente artificiais. As cenas seguem a mesma regra, isto é, nenhuma sofisticação e uma profusão impossível de cores. Faces são cortadas ao meio, apresentando cada lado uma coloração completamente diferente, gatos são pintados com bolinhas multicoloridas e outros charmes mais. O artista não se prende a detalhes inúteis do tipo, a mão esquerda ter o mesmo número de dedos da mão direita. Coisa de criança? Quem sabe não seja esse o motivo de tanto sucesso! O que posso dizer, com certeza, é que cada pequena figurinha, gatinho, cãozinho, é deliciosa e meiga e transporta o observador para um mundo de sonhos ternos e infantis. Pelo menos em mim, a reação é essa. Claro que a arte é interpretada diferentemente por cada pessoa, e mais ainda, a arte é interpretada diferentemente pela mesma pessoa, ao longo de diferentes fases de sua vida. Amanhã poderei ver Romero Britto e percebê-lo de uma outra maneira diferente de hoje.
Em 1987 o artista deixou o Brasil e foi para os Estados Unidos. O sucesso foi retumbante e a entrevista em Veja deixa transparecer um pouco de esnobismo e estrelismo. Difícil não parecer estrela quando se é, estrela. Felizmente a arte de Romero Brito é mais simpática do que as entrelinhas da entrevista. Eu não conheço a pessoa e pouco sei realmente sobre ela. Aprecio a sua obra. Freqüentemente artistas brasileiros fazem sucesso no exterior mas é bem diferente fazer uma exposição que tenha sido apreciada e ter um nome de presença permanente no mercado. É também muito diferente conseguir ser um nome conhecido no meio de apreciadores e estudiosos de arte e ser um nome conhecido e apreciado pelo público em geral, mesmo que, por conta do preço, esse público se mantenha distante do mercado. Romero Brito conseguiu todas essas coisas.

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